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A morte do cão comunitário Orelha, brutalmente espancado na Praia Brava, em Florianópolis, gerou comoção nacional. Desde os primeiros dias após o crime, o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, afirmou publicamente que não haveria impunidade e que as forças de segurança foram orientadas a dar rápida providência contra os responsáveis. Agora, informações mostram que essa promessa começou a se concretizar.
Informações obtidas com exclusividade pelo Jornal Razão mostram que a Polícia Civil de Santa Catarina fechou o cerco aos envolvidos. Nesta segunda-feira (26), a PCSC deu início a uma operação sigilosa contra os adolescentes suspeitos de envolvimento no caso, com mandados de busca e apreensão cumpridos em diversos alvos.
Duas casas de investigados foram alvos da ação policial. Nas residências, os policiais civis catarinenses apreenderam celulares e computadores dos adolescentes suspeitos. Um deles é filho de um empresário do ramo imobiliário. A expectativa é que o material revele mensagens trocadas antes e depois da agressão ao animal, além de possíveis imagens ou vídeos do crime.
Segundo a apuração, um dos adolescentes é tratado internamente como o “alvo que pode abrir tudo”. Seu depoimento pode ser revelador, com provas decisivas sobre o caso. O próprio delegado-geral já havia indicado que a investigação avançaria justamente a partir de elementos técnicos e digitais, para evitar versões contraditórias e garantir responsabilização.
Além dos dois investigados localizados em Florianópolis, outros dois adolescentes seguem fora do Brasil, o que levou a Polícia Civil a organizar o cumprimento dos mandados de forma escalonada, assim que houver o retorno deles ao país.
O trabalho da Polícia Civil conseguiu driblar decisões anteriores que geraram constrangimento e revolta interna na PCSC e no Ministério Público de Santa Catarina. Com novas estratégias, os investigadores obtiveram autorização judicial para atingir diretamente pais e filhos suspeitos, com ordens expedidas pela Vara da Infância e Juventude, reforçando a linha defendida por Ulisses Gabriel de que o caso não seria tratado como um episódio isolado de vandalismo.
Um dos alvos da operação é maior de idade. Na casa dele, a PCSC encontrou o que foi descrito como “uma droguinha”, compatível com porte de substância entorpecente para consumo pessoal. Esse detalhe pode pesar contra ele, já que, diferentemente dos adolescentes, não conta com a proteção do Estatuto da Criança e do Adolescente e pode responder criminalmente como adulto.
Com os celulares e computadores já apreendidos, a polícia agora trabalha na quebra dos dados com autorização judicial. O foco está em identificar conversas, áudios, imagens e eventuais provas que ajudem a esclarecer a autoria e a dinâmica da agressão que levou à morte de Orelha.
Além disso, há investigações paralelas envolvendo ameaças contra testemunhas, que surgiram após o caso ganhar repercussão. A Polícia Civil já deixou claro que essas condutas também serão apuradas com rigor.
O Jornal Razão apurou que a investigação corre sob sigilo, mas com fortes frentes de responsabilização, inclusive contra adultos que possam ter tentado coagir, intimidar ou acobertar os envolvidos.
O caso Orelha já ultrapassa o limite do maus-tratos. Trata-se de um reflexo direto sobre impunidade, influência e medo, que agora começa a ser desmontado, passo a passo, com o avanço da investigação.
A cobertura segue em atualização.